CUIDADO COM AS DROGAS
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Escrito por Rev.Gilmar Costa Rampinelli   
Qui, 04 de Março de 2010 09:34
CUIDADO COM AS DROGAS!

Luiz Fernando Veríssimo

  Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de “experimenta, depois, quando você quiser, é só parar...” e eu fui na dele.Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de “raiz”, “da terra”, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do “Chitãozinho e Xororó” e em seguida um do “Leandro e Leonardo”.Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de “Amigo” e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.Era o princípio de tudo!Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de axé.Ele dizia que era para relaxar, sabe, coisa leve... “Banda Eva”, “Cheiro de Amor”, “Netinho” etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: “É o Tchan”, “Companhia do Pagode”, “Asa de Águia” e muito mais.Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como nunca havia mexido antes, então, meu “amigo” me deu o que eu queria, um CD do “Harmonia do Samba”. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela!Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde o efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais.Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas.Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos “Karametade” e “Só pra Contrariar”, e até comprei a Revista Caras que tinha o “Rodriguinho” na capa.Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de louro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo.Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode.Enquanto vários outros viciados cantavam uma “música” que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas Lojas Americanas e pedi a coletânea “As Melhores do Molejão”. Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas “miseráveis” e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada.Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar “Popozudas”, “Bondes”, “Tigrões”, “Motinhas”, “Tapinhas” e “Paulo Ricardo”.Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas, uns nobres queriam me mostrar o “caminho das pedras”.Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim.Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de MPB, Rock Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenha que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach.Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam em dinheiro.Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esporte e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga e não, faça o seguinte:

Ø  Não ligue a TV no Domingo a tarde;

Ø  Não escute nada que venha de Goiânia ou Interior de São Paulo;

Ø  Não entre em carros com adesivos “FUI...”

Ø  Se te oferecerem um CD, procure saber se o suspeito foi ao programa da Hebe ou se apareceu no Sabadão do Gugu.

Ø  Mulheres gritando histericamente é outro indício,

Ø  Não compre nenhum CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;

Ø  Não vá a shows em que os suspeitos façam gestos ensaiados;

Ø  Não compre nenhum CD que a capa tenha nuvens ao fundo;

Ø  Não compre qualquer CD que tenha vendido mais de 1 milhão de cópias no Brasil;

Ø  Não escute nada que o autor não consiga uma concordância verbal mínima,

Ø  Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.A vida é bela!

 Eu sei que você consegue! Diga não às drogas!  

Última atualização ( Qui, 04 de Março de 2010 09:36 )